Estar sozinho é bom, na maioria das vezes. Mas ser sozinho é completamente diferente. É uma das piores coisas do mundo. Principalmente, depois de todos esses anos.
Mas essa sensação passou rapidamente no instante em que a vi. Não sei o que eu estava esperando quando fui procurá-La, mas com certeza não foi isso.
Seus cabelos eram negros como a noite, e seus olhos, incrivelmente cinzas, instigavam-me a pular dentro deles. A mexa azul revelava uma rebeldia tímida, mas que a qualquer momento poderia explodir.
Observá-La paralisou-me, como se eu estivesse vendo uma construção de arquitetura gótica sendo destruída pelas chamas de fogo. Envolvente e perigosa. Hipnótica.
Eu a vi entrando na escola. Não pude evitar o choque que percorreu todo meu corpo. Quando mandaram-me procurá-La, imaginei uma garota mais normal, mais...adolescente. A Violet que eu vi emana maturidade, e um poder que abala qualquer vampiro. Mas eu estava hipnotizado demais para recuar.
Seguindo meus instintos - no momento, desvairados - , entrei rapidamente no prédio, sempre de olho nela.
Violet olhou para trás algumas vezes, mas eu fui mais rápido e me escondi.
O inspetor de alunos, um sujeito de 40 anos, mais ou menos, gorducho, e com cara de poucos amigos, estava virando o corredor para onde Violet se dirigia.
Não pensei duas vezes. Silenciosamente, fui até ele. Ele se surpreendeu com minha chegada, mas não teve tempo para demonstrar sua surpresa.
- Você não vai deixar Violet Marie Moonshade entrar na sala de aula. Pelo menos, não neste horário. - Olhei em seus olhos, que ficaram distantes e sem emoção. Ele seguiu em frente, e impediu a garota de entrar.
Ela se sentou, e colocou os fones de ouvido. Foi quando ela me viu.
Ela ofegou, e arregalou os olhos. Também, não era para menos. Eu a olhava intensamente, minha cabeça girando. Eu nunca vira uma garota tão linda. Estava tomando coragem para falar com ela. Que reação estranha, a minha. Mas o mais estranho é que eu estava sem fala. E Violet nem me deu chance.
Ela saiu, os passos apressados, em direção ao pequeno ginásio da escola, deixando-me sozinho.
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